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Chapada dos Veadeiros: quando ir, onde ficar e o que fazer

Localizada no cerrado brasileiro, a 235km de Brasília e 420km de Goiânia, a Chapada dos Veadeiros impressiona pelas paisagens de tirar o fôlego, com muitas cachoeiras, montanhas e vegetação característica da região.

O Parque Nacional possui uma área de proteção ambiental de 240 mil hectares desde junho de 2017, quando foi publicado um Decreto Federal aumentando a área de preservação. Antes disso, somente 65 mil hectares eram legalmente protegidos.

Em outubro de 2017, a região atraiu todos os holofotes por conta do maior incêndio da história ocorrido no local. Foram 65 mil hectares devastados pelo fogo (praticamente a área de preservação original do parque!) e a previsão é de que sejam necessários 10 anos para a completa regeneração da flora. Parece que a recuperação da fauna vai demorar bem mais 🙁 O ICMBio e as investigações conduzidas pela Polícia Federal indicam que o incêndio teria sido criminoso, iniciado por fazendeiros da região em represália à ampliação do parque.

Estivemos lá em maio de 2018 e, apesar desse episódio trágico, ficamos muito felizes de ver que a Chapada dos Veadeiros já está verdinha de novo. Choveu bastante no início do ano de 2018, o que tem ajudado nesse processo de regeneração.

Trilha para a Cachoeira Santa Bárbara

 

A Chapada dos Veadeiros é muito procurada por quem gosta de um contato maior com a natureza, já que os atrativos podem ser resumidos trilhas e longos banhos de cachoeira (nada mal, né?). É um ótimo lugar para desconectar da correria do dia a dia, especialmente porque sinal de internet e wi-fi ainda são raridade por lá. O curioso é que há tanta coisa para fazer na região que muitas das cachoeiras mais visitadas pelos turistas sequer estão dentro da área do parque.

Outro aspecto interessante da Chapada dos Veadeiros é o misticismo que envolve a região, também chamada de portal energético do Brasil. Há diversos centros de meditação, yoga e terapias holísticas. Isso se deve, ao que tudo indica, à existência de uma placa de quartzo gigante no solo que, dizem, já foi registrada até mesmo por fotos tiradas por satélites. Esse cristal seria responsável pela limpeza e equilíbrio das nossas energias. Além disso, o local é cortado pelo paralelo 14, o mesmo que passa por Machu Picchu e outras cidades sagradas.

Acredite você ou não nesse misticismo todo, fato é que a Chapada dos Veadeiros é realmente um lugar mágico. Impossível não sair de lá mais leve, com as energias totalmente recarregadas.

Catarata dos Couros, um dos lugares mais lindos da Chapada dos Veadeiros

Quando ir?

O clima na Chapada dos Veadeiros é bem definido: seca de maio a setembro e chuva de outubro a abril. Estivemos por lá no feriado de 1 de maio e pegamos o tempo ótimo.

O ideal é ir na época de seca para facilitar o acesso às cachoeiras. São muitas estradas de terra e trilhas pelo mato. Durante a época de chuvas, muito cuidado com as trombas d’água quando estiver nas cachoeiras! O ideal é estar acompanhado de guia (principalmente nessa época).

 

Quanto tempo ficar?

Há muito o que fazer por lá. Para uma viagem mais completa, sugerimos de 7 a 10 dias, tempo suficiente para explorar todas as principais cachoeiras e trilhas, com uma visita ao Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros.

Ainda que não seja o ideal, uma escapadinha rápida em um feriado de 4 dias já mata a vontade de conhecer o lugar e certamente vai ser suficiente para você se encantar e querer voltar para visitar o que ficou faltando. Foi exatamente o que aconteceu com a gente e mal esperamos para voltar!

 

Como chegar e onde ficar?

O aeroporto mais próximo é o de Brasília. A partir de lá, o ideal é alugar um carro e seguir pela GO-118 em direção a Alto Paraíso de Goiás, São Jorge ou Cavalcante, as três principais cidades para visitação da Chapada dos Veadeiros.

A cidade com maior infraestrutura é Alto Paraíso de Goiás. Até lá, são 235km percorridos em, aproximadamente, 2h40. A estrada é boa na maior parte do caminho. Ao chegar na cidade você irá se deparar com um pórtico em forma de disco voador (o pessoal lá gosta de um ET, faz parte do misticismo rs!). Virando à direita logo após o “disco voador”, você estará na rua principal, com vários restaurantes e lojinhas. Não achamos a cidade muito charmosa. É bem simples, mas combina com o local. O Centro de Atendimento ao Turista (CAT) fica na rua principal e ótimo para obter maiores informações sobre passeios e guias.

Para quem busca um lugar mais calmo ainda para se hospedar, o vilarejo de São Jorge fica a apenas 35km de distância de Alto Paraíso de Goiás. Não há asfalto por lá e o centrinho tem vários restaurantes gostosos e lojinhas de produtos naturais. Já a estrada entre a cidade e o vilarejo foi recentemente asfaltada, o que permite que o caminho seja percorrido em apenas 20 minutos.

Cavalcante fica localizada a 90km de Alto Paraíso de Goiás (aproximadamente 1 hora de distância) e é excelente base para visitar a famosa Cachoeira Santa Bárbara e as Cachoeiras do Prata e Rei do Prata, essas últimas localizadas quase na divisa com o estado do Tocantins. A estrada entre Alto Paraíso de Goiás e Cavalcante é asfaltada e possui um visual maravilhoso para o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros!

O ideal é ficar hospedado em Alto Paraíso de Goiás ou São Jorge, pois quase todos os passeios ficam próximos a essas cidades (veja o mapa acima).

Para quem quer também visitar a Cachoeira Santa Bárbara, vale a pena se hospedar na noite anterior em Cavalcante, para já estar mais próximo no dia seguinte (estamos falando de mais 1 hora de carro para chegar até a cachoeira em sentido oposto à cidade de Alto Paraíso – 35 km de estrada de terra). Se ficar com preguiça de trocar de pousada, dá para fazer um bate e volta de Alto Paraíso para Santa Bárbara (são 2 horas de distância cada trecho). Já para quem também quer visitar as Cachoeiras do Prata e Rei do Prata, o ideal é passar 2 noites em Cavalcante.

Com relação ao aluguel do carro, prefira um modelo mais alto e, de preferência, que não seja 1.0. Durante a seca, época em que nós fomos, as estradas de terra estavam tranquilas, mas dizem que durante as chuvas pode ser mais complicado percorrer as estradas não asfaltadas. De qualquer forma, não é necessário um carro 4×4. Em maio de 2018, quando fizemos a viagem, a gasolina custava R$4,69/litro.

É possível ir de ônibus até Alto Paraíso de Goiás e fazer os passeios contratando os guias já com carro.

Paisagem no caminho para a Catarata dos Couros

Dicas Gerais

  • Use roupa confortável e tênis para fazer as trilhas. Para as meninas, uma ótima ideia é ir de maiô ou body e short, pois fica super prático e mais confortável para mergulhar.
  • Leve repelente, há muitos mosquitos!
  • Falando em mosquito, é recomendado tomar a vacina contra a Febre Amarela pelo menos 10 dias antes da viagem.
  • Muitos estabelecimentos já aceitam cartão, mas é essencial levar dinheiro para pagar entrada das cachoeiras e guias.
  • Sempre saia com o carro abastecido, pois somente há posto de combustível em Alto Paraíso de Goiás e Cavalcante.
  • Leve lanche para comer nas cachoeiras e recolha o seu lixo.
  • Para quem vive em cidade grande, como RJ e SP, o preço da alimentação é ótimo! Pagamos cerca de R$30/40 por pessoa com bebidas nas refeições (com muita fartura!)

O nosso roteiro

Passamos apenas 4 dias na Chapada dos Veadeiros durante o feriado de 1 de maio. Como é impossível conhecer tudo, selecionamos alguns lugares que gostaríamos de conhecer e anotamos os outros para a próxima viagem.

Nesse post vamos contar como foi o nosso roteiro e prometemos publicar em breve um novo post com todas as principais atrações de lá!

Dia 1

Voamos do Rio de Janeiro para Brasília na manhã do primeiro dia do feriado. Se você puder ir na noite anterior, na véspera do feriado, melhor ainda porque o ideal mesmo é acordar cedo no dia seguinte e partir para a Chapada.

Chegamos por volta das 9h no aeroporto e tivemos problemas para pegar o nosso carro alugado pela internet – com antecedência – na Localiza. Ficamos mais de 2h aguardando na fila e recebemos a notícia de que o carro que tínhamos alugado não estava disponível. No final das contas conseguimos resolver, mas perdemos mais de 3h nessa confusão. Acabamos chegando em Alto Paraíso de Goiás por volta de 15h30. Ficamos sabendo que a Localiza do aeroporto de Brasília costuma ficar caótica nos feriados, então não recomendaríamos alugar o carro lá, mas não sabemos dizer se as outras locadores oferecem um serviço melhor.

Como já estava tarde, fomos direto para a Loquinhas, localizada perto da cidade e fácil de chegar. A caminhada possui apenas 1,5km e a trilha é suspensa, feita de madeira. No caminho, há 7 cachoeiras e poços para mergulho. O lugar é lindo demais e bem fácil de chegar. Custa R$30 por pessoa.

Depois desse mergulho até esquecemos as longas horas de viagem e já entramos no clima da Chapada!

Além dessa trilha que fizemos, no mesmo lugar e pelo mesmo preço, é possível fazer a Trilha da Violeta. Vimos algumas fotos e também parece ser linda.

No final do dia a fome já estava grande e paramos na Vendinha 1961, na rua principal de Alto Paraíso de Goiás, para jantar. A comida caseira é uma delícia e, nos dias mais movimentados, rola música ao vivo à noite. Além disso, os pastéis parecem ser uma delícia, mas acabamos não provando.

Dia 2

No segundo dia escolhemos conhecer a Catarata dos Couros, uma das cachoeiras mais lindas da Chapada dos Veadeiros

Partindo de Alto Paraíso em sentido à Brasília, são 18km pela estrada asfaltada até a entrada para a estrada de terra. A partir desse ponto, são mais 35km até a cachoeira, que percorremos em 1 hora. A estrada estava boa, mas não é muito sinalizada e fica fácil de se perder. O ideal é baixar o mapa no celular (procure por Catarata do Rio dos Couros) ou então contratar um guia.

O lugar é realmente muito lindo! É uma muralha com várias quedas d’água.

Catarata dos Couros

 

A entrada é gratuita e, além da cachoeira principal (Cachoeira da Muralha dos Couros), há ainda mais três, chamadas de Cachoeiras de São Vicente, do Parafuso e do Bujão. Nós paramos na primeira, depois de uns 800 metros de caminhada moderada (o terreno não é plano, há muito sobe e desce). Depois vimos as fotos das outras cachoeiras e bateu aquele arrependimento de não ter seguido a caminhada!

Durante a época de chuvas, é preciso ter bastante cuidado, pois o volume de água nas quedas aumenta bastante. Principalmente nessa época recomendamos a contratação de um guia (R$150 para 4 pessoas), já que o lugar pode ficar perigoso.

Na entrada da trilha é possível reservar almoço em um dos restaurantes locais (comida caseira à vontade por R$30).

Optamos por não almoçar para dar tempo de conhecer o Vale da Lua. Para isso, voltamos até Alto Paraíso e seguimos em direção a São Jorge. É fácil de chegar. A entrada do vale fica entre as duas cidades (28km de Alto Paraíso e 4km de São Jorge). Há sinalização para a estrada de terra curtinha (5 minutos) que é preciso pegar para acessar o local. Paga-se R$20 para entrar.

Paisagem super diferente do Vale da Lua

Um dos poços do Vale da Lua abertos para mergulho

 

O vale é um dos lugares mais turísticos da Chapada dos Veadeiros e tem esse nome porque lembra a superfície da Lua. O rio corre entre as pedras e foi isso que, em milhões de anos, esculpiu as pedras e tornou o local tão único.

Não achamos necessário contratar guia, o acesso é bem fácil. Entretanto, todo cuidado é pouco, pois há histórias de acidentes mortais no local. O recomendado é utilizar tênis, para garantir estabilidade para andar sobre as pedras.

Achamos que vale a pena chegar um pouco mais cedo para tomar banho nos poços e aguardar o por do sol. Ou seja, Catarata dos Couros e Vale da Lua acabou sendo muita coisa para apenas um dia.

De qualquer forma, como fomos no feriado e tínhamos poucos dias, achamos que valeu muito o passeio porque o visual é lindo demais! Recomendamos muito ver o por do sol de lá, ficamos sem palavras para as cores desse lugar na hora mágica:

Terminamos o dia passeando por São Jorge. Há diversas lojas de produtos locais. Adoramos a Phyto Cerrado, que trabalha com aromaterapia e produz vários óleos, sabonetes, hidratantes, tudo com plantas do Cerrado. Para completar, jantamos uma pizza deliciosa na Taberna Bar. Outro restaurante muito recomendado em São Jorge é o Santo Cerrado Risoteria Café.

Dia 3

O passeio da vez foi para a Cachoeira Santa Bárbara. Uma das mais famosas, com água azul cristalina. É tudo isso que dizem mesmo, lindo demais!!!

Água cristalina da Cachoeira Santa Bárbara

Para chegar até lá, dirija em direção ao Centro de Atendimento ao Turista do quilombo Kalunga. Fica a 1h de Cavalcante e 2h de Alto Paraíso. Até Cavalcante a estrada é asfaltada e estava em ótimo estado quando fomos. Entre Cavalcante e o CAT, a estrada é de terra e também estava em boas condições. A partir do CAT, se você não estiver de carro 4×4, o ideal é utilizar o transporte local, uma espécie de pau de arara (R$10 ida e volta).

Apenas 300 pessoas podem visitar a cachoeira por dia em grupos de 50 por vez (só chega nesse número mesmo durante os feriados). Além disso, somente é possível ficar 1h na cachoeira. O tempo passa voando! O melhor horário é entre 10h e 14h, quando o sol incide diretamente sobre a cachoeira (mas fomos cedinho e estava lindo de qualquer forma).

A trilha é fácil, pois estamos falando de um campo aberto e plano. O visual é incrível! Aproximadamente 1,5km cada trecho.

É obrigatório contratar guia: você pode ir com o seu guia a partir de Cavalcante ou Alto Paraíso ou então contratar um na hora (será um quilombola da própria comunidade, o que é bem legal). Custa R$20 a entrada e R$100 o guia, divididos em até 4 pessoas. Aproveite para reservar almoço na própria comunidade. Custa R$30 e você come à vontade. A comida é deliciosa!

 

Comidinha caseira no Rancho Kalunga

ATENÇÃO PARA QUEM VAI NO FERIADO: é muito estressante visitar a Cachoeira Santa Bárbara durante feriados. Se mesmo assim você quiser ir, siga essas dicas, pois são ESSENCIAIS! É preciso chegar no CAT da Comunidade Kalunga às 6h da manhã. Ou seja, tem que madrugar MESMO. Nós tentamos no dia anterior, chegamos às 7h e todas as fichas para as 300 pessoas que visitariam a cachoeira já tinham sido entregues. Perdemos a viagem! Além disso, se você não conseguir ir na primeira leva de 50 pessoas, terá que esperar o grupo retornar para poder ir. Muita espera! Chegando às 6h nós conseguimos ir na primeira leva e demos nosso mergulho na cachoeira por volta de 8h30 da manhã. Foi bem cansativo, mas adoramos o lugar!

No mesmo dia, seguimos para a Cachoeira Capivara com o mesmo guia e pelo mesmo valor. A trilha é curtinha, mas é preciso descer e subir por umas pedras, tem que ter cuidado. Nós simplesmente amamos esse lugar também. A cachoeira é LINDA e o visual mais ainda:

Cachoeira Capivara

 

O guia disse que há outras cachoeiras muito bonitas também naquela região, chamadas de Candaru e Bom Jesus. Acabamos não indo, vai ficar para a próxima!

Na volta, como estávamos hospedados em Cavalcante, jantamos no Encanto das Pizzas (já perceberam que nós adoramos pizza, né? hehehe). O restaurante é bonitinho e a pizza é deliciosa. Depois fomos para um forró no Gastrô só para curtir um pouco, mas já estávamos bem cansados!

Dia 4

No último dia aproveitamos para conhecer uma cachoeira localizada dentro da pousada em que estávamos hospedados em Cavalcante e ficamos surpresos com o lugar! Achávamos que fosse ser uma cachoeira sem graça, mas nada disso!

O nome da cachoeira é São Bartolomeu. O acesso fica dentro da Pousada Vale das Araras e é aberto para não hospedes.

Cachoeira São Bartolomeu dentro da Pousada Vale das Araras

 

Aliás, adoramos a pousada. Ficamos em um chalé fofo! Uma paz incrível. Recomendamos!

Chalé da Pousada Vale das Araras

 

Para finalizar, seguimos viagem em direção à Brasília, mas paramos em Alto Paraíso para almoçar no Restaurante Jambalaya. O ambiente é charmoso e os pratos são uma delícia. A culinária é mais elaborada se comparada com as outras opções de restaurante da cidade, o que reflete no preço (o prato custa R$50 em média). Recomendamos bastante!

Restaurante Jambalaya: muito bonitinho.

 

Prato delicioso. Polenta e frango ao funghi

 

Esperamos que essas dicas tenham sido úteis! Em breve vamos liberar um post/guia com todas as cachoeiras mais visitadas da Chapada dos Veadeiros.

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